Rede de esgoto: você sabe como funciona o processo de tratamento?

No Brasil, a rede de esgoto ainda passa por desafios quando o assunto é tratamento. Mas a boa notícia é que essa prática vem aumentando, mesmo que seja a passos lentos.

Hoje em dia, há uma grande conscientização sobre a importância de contar com um conjunto de iniciativas de saneamento básico eficientes. Dentre elas, é fato que a presença de um sistema de coleta e tratamento é uma das mais importantes.

Isso se dá por conta dos impactos prejudiciais quando não existe um sistema que possa realizar a recuperação da água, o que promova doenças, mau cheiro, contaminação ao meio ambiente, entre outras situações tão desagradáveis à nossa população.  

Sendo assim, é muito importante que tanto o poder público quanto a iniciativa privada criem mecanismos e políticas direcionadas ao saneamento e estruturação dos sistemas de coleta e tratamento da rede de drenagem de esgoto.

Pensando nisso, criamos este texto para que você saiba como funciona todo o processo de tratamento de esgoto. Boa leitura!

O que é estação de tratamento de esgoto?

O esgoto é constituído pela água que, após sua utilização, apresenta alteração em suas características naturais, o que a torna totalmente inapropriada para o nosso consumo humano.

Ele tem pode ter origem doméstica, ou seja, aquela água que é utilizada nas atividades do nosso cotidiano, como limpeza de cômodos, lavagem de peças de roupa, utensílios de cozinha, descarga de vasos sanitários, banhos etc.

Mas o esgoto não é proveniente apenas das nossas casas. A água que escorre de estabelecimentos comerciais e indústrias também é direcionada para a rede de esgoto. Ela também deve ser transportada para que seja tratada corretamente.

Assim, a estação de tratamento de esgoto é uma medida de saneamento básico fundamental que garante a qualidade de vida de toda a população. Ela é um espaço projetado para realizar as diversas etapas de recuperação da água.

Essas fases podem variar conforme as características e necessidades de cada cidade. Contudo, é fundamental que todos os municípios contem com mecanismos que possam recuperar e tratar adequadamente essa água utilizada no nosso dia a dia.

Qual o seu objetivo?

O objetivo do tratamento da rede de esgoto é retirar os poluentes da água que é utilizada pela nossa população, de forma com que ela possa voltar a ser usada novamente pelas pessoas. Para isso, é necessário que ela esteja inserida nos parâmetros exigidos pelos órgãos ambientais.

Dessa forma, foram criadas as estações de tratamento de esgoto para que a água passasse por vários processos físicos, químicos e/ou biológicos, a fim de garantir que os poluentes fossem retirados de maneira eficiente, permitindo que todos nós possamos reutilizar a água tratada.

 Com base nisso, podemos dizer que a meta principal do tratamento de esgotos é contribuir com a saúde da população e manter a preservação do meio ambiente. Essa prática, então, serve para garantir a qualidade das águas dos rios, mares, lagoas e até reservatórios subterrâneos.

Essa ação é fundamental para a manutenção da sustentabilidade desse recurso tão importante para todo o planeta, possibilitando que toda a comunidade tenha uma melhor condição de vida.

Qual a importância da estação de tratamento de esgoto?

Sabemos que o esgoto é constituído por água e resíduos que ela carrega pelos encanamentos de indústrias, estabelecimentos comerciais, escritórios e residências.

A rede de esgoto é constituída basicamente de 99,9% de água e 0.1% de sólidos e muitos organismos vivos, tais como vermes, bactérias, vírus e protozoários, os quais são liberados junto aos dejetos humanos.

Mesmo com apenas um percentual reduzido de dejetos na água, o tratamento do esgoto ainda sim exige vários dias para realizar seus processos. Ele é relativamente caro, o que exige um investimento consistente do Estado.

O tratamento doméstico também é essencial para a preservação do meio ambiente. Sabemos que a rede de esgoto é bastante contaminante e os excessos de sedimentos apenas pioram esse quadro.

Essa poluição é capaz de transformar áreas próximas, desequilibrando todo o ecossistema da região. Os rios e praias, por exemplo, passam por um processo chamado de assoreamento, que se trata do aumento de sedimentos sólidos em sua base, o que acarreta aumento do nível de água e, por conseguinte, enchentes.

Os poluentes na água de esgoto também são responsáveis pela contaminação de mananciais e ambientes que servem como fonte de água potável para a sociedade. Os mais afetados são os peixes que acabam entrando em extinção.

Além dos animais, as vegetações são prejudicadas, que acabam morrendo. O mau cheiro é uma dor recorrente para as pessoas que residem perto da rede de esgoto.

Enfim, por conta de tudo isso, como os problemas de entupimento, é muito importante que haja estações de tratamento de esgoto em todas as localidades, a fim de tratar essa água corretamente para a reutilização da população.

A preservação dos recursos hídricos, dessa maneira, vai garantir a sustentabilidade desse recurso para as futuras gerações. Atualmente, temos o entendimento de que a água não é um recurso que vai durar para sempre.

Apesar de ser renovável, devido à sua possibilidade de se recompor, ela é utilizada em um nível muito mais alto do que a natureza é capaz de produzir. Desse modo, se a rede de esgoto não for tratada, isso pode provocar um desequilíbrio, o que afetaria toda a vida das próximas gerações.

Como funciona o processo de tratamento de esgoto?

Sabemos que a água usada em residências e empresas em geral é encaminhada por tubulações para as redes coletoras. O destino final será a estação de tratamento de esgoto.

Inicialmente, o processo de tratamento funciona por um método que busca separar a parte líquida da sólida. Nessa primeira parte, acontece a remoção de materiais grosseiros, como objetos sólidos, areia e gordura.

Esse sistema normalmente é constituído de peneiras e grades, que são responsáveis pela retenção dos poluentes. Depois disso, o esgoto é remetido para uma caixa em que sua função é filtrar os resíduos de areia e gordura que permaneceram na água.

Esses componentes podem ser removidos de modo manual ou mesmo mecanizados para, em seguida, serem destinados de forma correta aos aterros sanitários.

Os outros processos após isso dependem do modelo do sistema de tratamento de esgoto e podem ser separados em três níveis diferentes, conforme o grau de poluentes que se deseja remover. Veja agora quais são.

Nível primário

Nesse sistema, acontece apenas a remoção de sólidos suspensos e sedimentáveis existentes, inclusive aqueles que causam o entupimento da rede de esgoto. Nessa fase, é usado apenas processos físicos, como a decantação.

Essa é uma etapa prática e simples, em que a mistura fica em repouso por um determinado período de tempo e, por conta disso, as impurezas se sedimentam, ou seja, ficam depositadas no fundo do recipiente. Depois, a água é cuidadosamente escoada.

O material em repouso se baseia em um resíduo, chamado de lodo primário. É interessante que o seu excesso seja retirado do sistema para que não provoque nenhum prejuízo nas outras etapas do tratamento.

A sua retirada é realizada utilizando um método de bombeamento para unidades de desidratação, que podem ser centrífugas, leitos de secagem, adensadores ou outros métodos determinados pela companhia que controla a estação de tratamento de esgoto.  

Outra ação usada é a flotação, que se baseia em uma separação físico-química através da inserção de bolhas de ar em suspensão conhecida como coloidal.

As partículas que estão em suspensão grudam nas bolhas de ar e são levadas para a superfície da mistura. Dessa forma, cria-se uma espécie de espuma e ela pode ser facilmente removida da solução.

Geralmente, nessa fase, usa-se separadores de água e óleo ou gordura. Esses equipamentos trabalham com soluções físicas para separar os dois líquidos.

Uma importante questão é a densidade, uma vez que o óleo flutua sobre a água. Essa etapa do tratamento é fundamental em esgotos resultantes dos despejos de setores de manutenção industrial, lavagem de veículos e máquinas, porque a água desses ambientes normalmente está contaminada com óleos e graxas.

Outra estratégia é a eletrocoagulação ou a passagem de corrente elétrica pelo líquido. Essa ação visa coagular os poluentes e isso ocorre devido ao fato de que os campos elétricos tornam as reações de oxirredução possíveis, constituindo, assim, flocos de contaminantes.

Nível secundário

Na etapa secundária, podemos presenciar o processo de remoção da matéria orgânica dissolvida, por meio de ações biológicas, em que um grupo de microrganismos consomem a matéria orgânica existente para se estabilizar.

O foco desses procedimentos é aumentar a velocidade de decomposição dos poluentes orgânicos que acontece de maneira natural. No entanto, isso ocorre de forma lenta, uma vez que a matéria orgânica pode estar dissolvida, solúvel ou em suspensão.

Os processos biológicos utilizados para retirar a matéria orgânica podem ser anaeróbios (que não exigem a presença de oxigênio ou aeróbios (que necessitam da presença de oxigênio).

No primeiro caso, a matéria orgânica é convertida em gás carbônico e gás metano, sendo o responsável pela produção de mau cheiro. O percentual de remoção da matéria orgânica nessa fase de tratamento gira em torno de 60% a 75%.

Em relação à decomposição da matéria orgânica realizada por microrganismos que necessitam de oxigênio, ela é convertida em gás carbônico e água, e essa ação é bem mais eficaz que o anaeróbio.

Contudo, é fundamental promover a aeração dentro do sistema utilizando sopradores de ar e difusores, o que exige um consumo considerável de energia elétrica que, por conseguinte, aumenta o custo total do tratamento.

Geralmente, as estações de tratamento da rede de esgoto optam pelos dois modelos de processos para garantir maior eficiência operacional. Essa prática faz com que os esgotos tenham um nível menor de matéria orgânica.

Nível terciário

Na terceira etapa acontece a remoção de compostos inorgânicos do sistema, como o fósforo e nitrogênio. Dessa maneira, o tratamento tem como objetivo os poluentes específicos que não foram retirados anteriormente.

São eles os compostos não biodegradáveis, metais pesados, nutrientes etc. Essa fase é usada quando o foco for remover esgotos com características industriais ou retirar nutrientes a uma concentração que não é viável de se atingir somente com o processo secundário.

Esse procedimento pode acontecer por meio do uso de produtos químicos ou de modo biológico. Nessa última situação é preciso criar mecanismos que viabilizem um ambiente propício para a sua ocorrência.

A definição do processo vai depender também da qualidade exigida pelo esgoto tratado e das análises técnicas e econômicas.

Existem várias técnicas que podem ser utilizadas, como:

  • precipitação química: inserção de substâncias químicas coagulantes, que busca criar flocos que decantam com o lodo. Esse processo remove o poluente do esgoto, deixando-o mais límpido. Um exemplo é a utilização de sais de alumínio, cálcio e ferro para retirar o fósforo do efluente;
  • microfiltração: nesse método, uma pressão feita faz com que haja a separação da parte líquida do esgoto dos sólidos poluentes;
  • troca iônica: íons poluentes que estão presentes na água ficam retidos na resina polimérica aplicada no esgoto;
  • adsorção: neste procedimento, utiliza-se o carvão ativado para realizar a adsorção, ou seja, os poluentes são remetidos para a superfície do composto usado.

Quais os riscos do despejo de esgoto sem tratamento?

A falta de tratamento e desentupimento da rede de esgoto é um grande problema para a população. Quando ele é despejado nos rios, por exemplo, sem o devido tratamento, ele modifica a composição natural do ecossistema, o que causa danos tanto para a fauna quanto para a flora aquática e seres humanos.

Veja os riscos que o despejo de esgoto sem tratamento provoca para diferentes setores.

Saúde pública

Muitos brasileiros coletam a água para consumo diretamente de rios. Ela pode estar contaminada por conta do descarte incorreto do lixo e pelo esgoto.

Esse problema de saneamento facilita a propagação de doenças, notadamente entre idosos e crianças, que têm uma saúde mais frágil. Isso acontece porque a água dos rios não passa pelo tratamento adequado, apresentando um volume de poluentes e agentes biológicos capazes de causar doenças sérias.

Outro ponto de destaque que a água da rede de esgoto sem tratamento pode causar são as infecções bacterianas. Além do impacto na saúde e no bem estar da população, elas custam bastante dinheiro para o sistema público de saúde do Brasil.

Meio ambiente

É fato que a falta de saneamento básico, juntamente à falta de tratamento da rede de esgoto é um dos maiores problemas ambientais nos dias de hoje.

Muitos brasileiros vivem em locais com esgoto a céu aberto e isso também é fonte de proliferação de doenças.

Quando a água poluída chega aos rios, ela altera totalmente a composição química da água, impactando toda a vida aquática da região.

Isso ocorre porque a acumulação de matéria orgânica faz com que surjam microrganismos que reduzem o volume de oxigênio na água, comprometendo diretamente a sua qualidade.

Além do mais, os nutrientes presentes na rede de esgoto, notadamente o fósforo e nitrogênio, são capazes de promover a eutrofização, que se trata de um processo de proliferação de algas nas superfícies dos rios.

Com isso, a luz solar não consegue penetrar na água e as plantas deixam de realizar a fotossíntese, reduzindo, desse modo, a concentração de oxigênio. Isso provoca a morte de animais e aumento de microrganismos que alteram todo o ecossistema.

Economia

O tratamento da rede de esgoto é uma excelente maneira de mensurar o desenvolvimento de um país. Além dos problemas já mencionados neste texto, o serviço pode influenciar negativamente no progresso escolar de crianças e adolescentes, prejudicar a renda familiar e reduzir a produtividade no trabalho.

Com um sistema de tratamento de esgoto, além de trazer vantagens para a sociedade, também estimula setores como da construção civil, gerando mais emprego e renda.

Sociedade

A ausência de tratamento de esgoto provoca vários impactos na sociedade. O despejo de esgoto sem o devido tratamento nos rios causa a poluição dos recursos hídricos, principalmente pelo fato de que essa água é largamente utilizada para irrigação de lavouras.

Dessa forma, há uma diminuição considerável de água potável disponível para a população. Essa realidade afeta o nível de renda das pessoas e provoca efeitos na mobilidade social, o que acentua a desigualdade no país.

Esse problema atinge principalmente as classes mais baixas, fazendo com que determinadas regiões sofram bastante com a falta de acesso a serviços básicos de infraestrutura.

De modo geral, a falta de serviço de saneamento priva a população de ter uma vida digna, com total acesso ao trabalho, à educação e ao exercício dos seus direitos e deveres.

Assim, o acesso aos serviços de tratamento de esgoto é essencial para a preservação da saúde pública e financeira de toda a sociedade.

Quais os benefícios do esgoto tratado?

Agora que você já sabe melhor sobre a conceituação do tratamento da rede de esgoto, como é importante, quais suas etapas e impactos na sociedade, veja quais são seus benefícios.

Preserva o meio ambiente

Antigamente, todos os resíduos da rede de esgoto eram descarregados totalmente em rios e fossas. Isso resultava em uma grande poluição das águas subterrâneas nos lugares em que esses resíduos eram jogados.

As águas poluídas tinham como destino o mar, o que provocava vários riscos e outros problemas ambientais. Com a estação de tratamento de esgoto, esse tipo de poluição diminuiu e por isso deve ser implementado em todas as regiões do país.

Hoje em dia, as indústrias têm maior compromisso de zelar pelo seu efluente, não só por conta das exigências legais, mas também para preservar a saúde da população e dos recursos naturais.

Otimiza a qualidade de vida

A qualidade de vida otimiza ambientes em que o sistema opera com o descarte eficiente do esgoto. O processo de tratamento de efluentes oferece uma maneira mais saudável e correta de gerir os resíduos de residências, hotéis, condomínios e indústrias.

As pessoas também devem fazer seu papel nessa empreitada, que vai desde desentupir cano de pia até evitar jogar dejetos na água dos rios que poderiam ser descartados de outra forma.

Melhora a economia e reutilização das águas

Sabemos que a água é um recurso natural essencial para a população e deve ser gerenciada da melhor forma possível. O efluente tratado na estação é reutilizado para fins agrícolas, entre outros.

Muito mais que um ponto de cumprimento de lei, as companhias que tenham um sistema de tratamento de efluentes, além de estarem em dia com as normas ambientais, são beneficiadas com várias vantagens pela sua prática sustentável.

O benefício mais significativo do sistema é manter o desenvolvimento constante e sustentável, a proteção da fauna e da flora e a melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Considerando tudo isso, não há dúvida de que toda a sociedade terá uma melhor qualidade de saúde nos próximos anos.

Quais as tendências no tratamento de esgoto?

O desenvolvimento de novas tecnologias é fundamental para otimizar a eficiência nos serviços de saneamento básico.

Os sistemas que pertencem a esse setor são muito complexos, como redes de distribuição que podem chegar a dezenas de quilômetros. Desse modo, para conseguir oferecer todos esses recursos para a população, o investimento em inovação é essencial.

As companhias do segmento têm buscado por novas tipologias de tratamento de esgoto, para garantir melhor performance operacional no tratamento da rede de esgoto.

Nos últimos anos, houve uma entrada de vários players no setor, que analisam e criam novas soluções de tratamento para agregar tecnologia aos procedimentos tradicionais.

Entre essas inovações podemos citar as membranas de microfiltração e ultrafiltração, técnica do lodo granular aeróbio, reatores de leito móvel com biofilme (MBBR), entre outros.

A questão é que essas tecnologias podem ser usadas de forma separada ou em conjunto para melhorar os processos convencionais, o que depende do grau de experiência do tratamento dos tipos de redes de esgoto.

O lodo é um grande problema no nosso país, uma vez que muitos municípios não têm aterros regulamentados. Por isso que as organizações têm buscado meios para propiciar a desidratação do lodo, visto que assim menos volume terá que ser disposto.

Mas esse processo exige custos maiores com energia, o que provoca aumento de gastos operacionais.

Para solucionar isso, há uma tendência a gerar energia elétrica por meio de etapas das próprias estações de tratamento. O biogás é um exemplo disso, pois ele é utilizado em reatores para produção de energia.

Enfim, o processo de realização do tratamento da rede de esgoto é bastante longo e complexo. Demanda muitos recursos e tempo necessário para isso. Toda a população deve colaborar para a promoção da preservação do meio ambiente.

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